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Minha empresa dá lucro, mas não tem dinheiro no banco. Como isso é possível?

  • Equipe de RP
  • 21 de mai.
  • 3 min de leitura

Fala, Empresário, tudo certo?


Poucas situações geram tanta confusão quanto esta.


Você analisa os relatórios da empresa, observa que houve lucro no mês, as vendas aconteceram normalmente e a operação parece saudável. Mas quando abre o aplicativo do banco, a sensação é outra. O saldo está apertado, os compromissos se acumulam e surge aquela pergunta inevitável:


Se a empresa está lucrando, onde foi parar o dinheiro?


A resposta está em algo que muitos empresários convivem diariamente sem perceber: lucro e caixa não são a mesma coisa.


A empresa possui dois relógios financeiros


Toda empresa funciona, ao mesmo tempo, em dois mundos diferentes.


O primeiro é o mundo da contabilidade, que utiliza o chamado regime de competência. Nesse modelo, receitas e despesas são reconhecidas quando acontecem economicamente. Se uma venda foi realizada hoje, ela já faz parte do resultado da empresa, mesmo que o cliente só pague daqui a dois meses.


O segundo é o mundo do caixa, que segue o regime financeiro. Aqui importa apenas o que efetivamente entrou ou saiu da conta bancária. Não importa se a venda aconteceu. O que importa é quando o dinheiro chegou.


É justamente nessa diferença que surgem muitas das dúvidas e dificuldades enfrentadas pelos empresários.


O lucro acontece antes do dinheiro chegar


Imagine uma empresa que realiza uma venda de R$ 100 mil com prazo de recebimento para 60 dias.


Do ponto de vista contábil, a venda aconteceu hoje. Ela gera receita, contribui para o resultado e pode até aumentar o lucro do período.


Porém, do ponto de vista financeiro, nenhum real entrou no caixa.


Agora imagine que, para realizar essa venda, foi necessário comprar mercadorias, pagar fornecedores, salários, impostos e outras despesas que vencem nos próximos 30 dias.


Percebe o que acontece?


A empresa apresenta lucro no relatório, mas precisa desembolsar dinheiro antes mesmo de receber pela venda realizada.


O resultado é uma pressão natural sobre o caixa.


Para onde o dinheiro vai?


Quando o empresário pergunta onde foi parar o dinheiro, a resposta normalmente está em três lugares.


O primeiro são os clientes que ainda não pagaram. O lucro existe, mas o recurso continua nas contas a receber.


O segundo é o estoque. Muitas vezes o dinheiro saiu da conta e se transformou em mercadorias armazenadas aguardando venda.


O terceiro está no próprio ciclo operacional da empresa. Fornecedores, salários, impostos e demais compromissos precisam ser pagos independentemente do momento em que os clientes realizam seus pagamentos.


Em outras palavras, o dinheiro não desapareceu. Ele apenas está temporariamente em outro lugar.


A Necessidade de Capital de Giro entra em cena


É exatamente nesse ponto que surge a Necessidade de Capital de Giro, conhecida como NCG. Ela representa o valor necessário para financiar o intervalo entre o momento em que a empresa paga suas obrigações e o momento em que recebe pelas vendas realizadas.


Quanto maiores forem os estoques e os valores a receber dos clientes, maior tende a ser essa necessidade.


Por outro lado, quanto maiores forem os prazos concedidos pelos fornecedores e demais parceiros da operação, menor será a pressão sobre o caixa.


Por isso, duas empresas com o mesmo faturamento e até mesmo com o mesmo lucro podem apresentar situações financeiras completamente diferentes.


O segredo está na velocidade do dinheiro


Muitos empresários passam anos buscando aumentar vendas sem perceber que existe uma variável igualmente importante: a velocidade com que o dinheiro circula.


Uma empresa financeiramente saudável não é apenas aquela que vende bem. É aquela que consegue transformar vendas em caixa de forma eficiente.


Por essa razão, algumas práticas fazem tanta diferença. Reduzir estoques excessivos, acelerar recebimentos e negociar melhores prazos de pagamento são ações que ajudam a diminuir a necessidade de capital de giro e fortalecem a liquidez do negócio.


Não se trata apenas de vender mais. Trata-se de fazer o dinheiro voltar para o caixa no momento certo.


O lucro mostra desempenho. O caixa garante sobrevivência.


O lucro continua sendo um indicador fundamental. Afinal, nenhuma empresa se sustenta por muito tempo sem gerar resultado econômico.


Mas existe uma verdade que todo empresário precisa compreender: empresas não quebram por falta de lucro no relatório. Elas quebram por falta de dinheiro para honrar seus compromissos.


Por isso, acompanhar apenas o resultado contábil pode criar uma falsa sensação de segurança. É necessário olhar também para o fluxo financeiro e entender como o dinheiro está circulando dentro da operação.


Quando essa visão se torna parte da gestão, muitas decisões passam a fazer mais sentido.


Afinal, faturamento mostra movimento. Lucro mostra desempenho. Mas é o caixa que determina a capacidade da empresa de continuar operando amanhã.


Como costuma dizer o mercado financeiro:


Faturamento é vaidade, lucro é sanidade e caixa é realidade.

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